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terça-feira, 28 maio 2019 13:56
Atualidade

Regime de quimioterapia de baixa dose eficaz em doentes mais velhos e frágeis com cancro gastroesofágico

O ensaio clínico randomizado GO2, de fase III, que englobou 514 pessoas idosas e frágeis do Reino Unido com cancro gastroesofágico avançado, revelou que a dose mais baixa testada de oxaliplatina (inibe a replicação do ADN) e capecitabina (inibe divisão de células tumorais) foi comparável à dose mais alta em termos de retardar a progressão de doença, com a vantagem de minimizar os efeitos secundários.

Este ensaio será apresentado pelo Prof. Doutor Peter Hall, da Universidade de Edinburgo, no dia 2 de junho, às 11:45, no Arie Crown Theater, sessão de Cancro Gastrointestinal  (Noncolorectal).

O cancro gastroesofágico é habitualmente diagnosticado numa fase tardia e é a 6.ª causa de morte por cancro mais comum a nível mundial. É mais frequente nos homens e pessoas mais velhas, com uma idade mediana ao diagnóstico de 68 anos.

O ensaio GO2 foi desenhado para identificar a dose ótima de capecitabina e oxaliplatina para administração em doentes mais velhos ou frágeis. Para determinar benefício clínico ótimo, tolerabilidade, qualidade de vida e satisfação do doente para esta terapia com dois fármacos (oxaliplatina e capecitabina), os investigadores incorporaram esses fatores e outros numa ferramenta de avaliação designada overall treatment utility (OTU).

Entre 2014 e 2017, os investigadores distribuíram aleatoriamente pessoas entre os 51 e 96 anos de idade por três níveis de dosagem:

- nível A: 130 mg/m2 da área de superfície do corpo de oxaliplatina administrada a cada 21 dias + 625 mg/m2 de capecitabina duas vezes por dia, de forma contínua.

- nível B: 80% da dosagem do nível A

- nível C: 60% da dosagem do nível A

Pessoas com função renal reduzida receberam 75% das doses sugeridas de capecitabina. Após 9 semanas, os doentes foram avaliados para OTU. A continuidade da terapêutica foi baseada no parecer do médico.

O estudo mostrou que pessoas que receberam dosagens de nível C tiveram menores reações tóxicas aos medicamentos e melhores outcomes OTU que os níveis A ou B. O nível C produziu o melhor OTU, até mesmo em pessoas mais jovens e menos frágeis, e nenhum grupo beneficiou mais de níveis de dosagem mais altos. A percentagem de pessoas com bons scores OTU foi de 43% no nível C; 35% no nível A; e 36% no nível B.

A sobrevivência global (OS) foi comparável entre as diferentes doses: OS mediana de 7,5 meses no nível A; 6,7 meses no nível B e 7,6 meses no nível C. A sobrevivência livre de progressão (PFS) também foi similar entre as diferentes doses: PFS mediana foi de 4,9 meses no nível A; 4,1 meses no nível B e 4,3 meses no nível C.

Os efeitos secundários de grau 3 ou mais, que frequentemente podem ser sérios, foram observados em 56% das pessoas que receberam as doses de nível A e nível B, mas foram apenas detetados em 37% das pessoas que receberam dose do nível C.

Relativamente a este estudo, a presidente da ASCO, a Dr.ª Monica M. Bertagnolli afirmou: “menos é mais’ está a tornar-se um refrão comum em algumas áreas do tratamento do cancro, que se repercute na qualidade de vida dos doentes. Este ensaio procura equilibrar a qualidade de vida e o aumento de sobrevivência para pessoas mais idosas e frágeis que recebem tratamento paliativo para o cancro gastroesofágico, providenciando dados que precisamos muito para esta população de doentes. Estes dados são importantes porque fornecem uma nova opção potencial para diminuir a progressão da doença”, afirmou a Dr.ª Monica M. Bertagnolli.

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