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domingo, 02 junho 2019 18:54
Expert Insight

Fatores preditivos de resposta à imunoterapia com inibidores de checkpoint

A Prof. Doutora Inês Pires da Silva, oncologista do Melanoma Institute Australia, em entrevista à News Farma, explicou as principais descobertas do estudo que apresentou ontem, dia 1 de junho, na sua comunicação oral denominada “Comprehensive molecular profiling of metastatic melanoma to predict response to monotherapy and combination immunotherapy”, integrada na sessão Clinical Science Symposium. A oncologista referiu ainda que trouxe à ASCO um segundo projeto que vai ser apresentado na sessão de posters de melanoma. Assista ao vídeo.

Vídeo

O projeto apresentado pela Prof. Doutora Inês Pires da Silva teve como objetivo encontrar fatores preditivos de resposta para imunoterapia anti-PD1 ou anti-PD1 e anti-CTLA4 em combinação. “Utilizámos uma coorte de perto de 100 doentes em que fizemos ou genome sequencing para definir tumor mutation burden [TMB] e definir neoantigenios, mas também fizemos RNA sequencing para gene expression analysis e imunohistoquimica para PD-L1 e TILs [T infiltrating lymphocytes]”, explicou a especialista.

Na coorte analisada, aplicou-se um modelo multivariado para definir os fatores preditores.  “Os dois fatores mais preditivos de resposta são o tumor mutation burden e uma assinatura de genes associados ao IFNγ”, esclareceu, explicando que os dados validaram as conclusões de trabalhos prévios, mas de um modo mais completo do que os outros estudos, uma vez que tiveram em consideração a junção de fatores clínicos como a idade, sexo, LDH…

A avaliação do outcome dos doentes em função das duas variáveis – TMB; IFNγ – identificou doentes outliers, isto é, doentes com baixo TMB e IFNγ, mas que respondem, ou doentes com elevado TMB e IFNγ, mas que não respondem. A equipa da oncologista está atualmente a investigar as causas subjacente a estes dois tipos de outliers. “Há um não respondedor com elevado TMB, e nós descobrimos que tem uma mutação especifica no gene JAK 3 […] ainda não foi provado que está associado a resistência, mas esse é o próximo passo”, afirmou.

A Prof. Doutora Inês Pires da Silva, na reta final da entrevista, explicou que o segundo projeto que irá apresentar na forma de poster tem como objetivo usar o mesmo conceito de juntar vários fatores e aplicar um modelo multivariado para prever o outcome dos doentes, mas apenas com base nas informações clínicas e de sangue que são recolhidos na primeira consulta com o doente, implicando custos mais reduzidos comparativamente com as técnicas usadas no projeto da comunicação oral. “Temos modelos específicos e com capacidade de predizer, não vou dizer de forma tão boa quanto estas [técnicas do projeto da comunicação oral], mas muito próxima, o que nos levanta a questão: será que precisamos de coisas tão complexas e caras quando com os dados clínicos conseguimos chegar tão longe? Essa é a grande questão”, concluiu.

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