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quarta-feira, 05 junho 2019 17:29
Expert Insight

CAR-T cells em tumores sólidos, o impacto da NGS no tratamento de tumores raros e avanços no cancro de cabeça e pescoço

Em entrevista à News Farma, o Dr. José Diniz, coordenador da Unidade de Investigação Clínica do IPO do Porto, partilhou alguns dos muitos temas debatidos na ASCO 2019 com impacto no futuro próximo do tratamento de tumores sólidos. Assista aos vídeos. 

Na sessão dedicada ao tema das CAR-T cells, “foram apresentadas as estratégias mais promissoras, mas foi acima de tudo feita uma revisão de todo o processo de toxicidade inerente a esta terapêutica que é uma toxicidade grave [síndrome da libertação das citocinas e a toxicidade no sistema nervoso central] e que tem que estar muito bem estudada pelas equipas”, explicou o Dr. José Diniz, acrescentando que “as instituições que estão envolvidas nestes tratamentos têm que estar preparadas para isso”.

Na perspetiva do oncologista, na sessão que assistiu, houve uma partilha do conhecimento adquirido pela prática clínica dos colegas da hematologia com “os colegas dos tumores sólidos que estão a dar os primeiros passos neste tratamento”.

Relativamente aos ensaios clínicos em tumores sólidos com esta tecnologia, “há um grande enfoque nos sarcomas, porque são tumores vários que exprimem alterações genéticas muito precisas”, afirmou. O especialista partilhou também que a tecnologia com as CAR-T cells para o tratamento de tumores hematológicos vai ser uma realidade em Portugal: “nós esperamos que vamos ter um grande impulso muito em breve”.

Next Generation Sequencing com amplo impacto no tratamento de tumores raros

O segundo tópico destacado pelo especialista foi o impacto da aplicação da Next Generation Sequencing (NGS) nos tumores raros. “A utilização de painéis NGS de forma massiva tem permitido nós identificarmos alterações genéticas em tumores de muito baixa incidência, que de outra maneira não os identificaríamos”, explicou o Dr. José Diniz, acrescentando que “a nova forma de investigar e de fazer os ensaios clínicos nesta área, recorrendo a basket trials ou umbrella trials, tem permitido que nichos de tumores tenham sido identificados e beneficiados de uma forma muito expressiva com estes novos tratamentos”. O especialista enfatiza que os tumores raros “são uma fonte muito inspiradora para o avanço do conhecimento nestas áreas e […] podem beneficiar de uma forma, muitas vezes, dramática”.

Tumores avançados de cabeça e pescoço: imunoterapia a opção mais benéfica. Mas para que doentes?

Abordando uma das suas áreas de interesse, o oncologista relembra que nos tumores avançados da área de cabeça e pescoço “durante 25 anos praticamente não tivemos nenhum avanço, até que em 2008 o regime mostrado no ensaio EXTREME mudou o paradigma e tornou-se o standard, portanto já passaram onze anos”.

Foi preciso um salto de dez anos para que, em 2018 no congresso da ESMO, fossem presentados estudo que colocaram a imunoterapia como a opção mais benéfica em primeira linha, com evidência que comprova o aumenta a sobrevivência de doentes com carcinoma de células escamosas da cabeça e pescoço metastático ou recorrente, com apresentação dos resultados preliminares do Keynote-048. Como esclarece este “é um estudo em que o standard foi comparado com o pembrolizumab em 1.ª linha em monoterapia” ou com o pembrolizumab + cisplatina + 5-FU. “O que foi apresentado agora é que as duas combinações com pembrolizumab são claramente melhores”, afirma, mas esclarecendo que ainda está em cima da mesa a confirmação do melhor regime e em que grupos de doentes.

No estudo apresentado na ASCO e para responder à questão de quais os doentes que mais beneficiam do tratamento com este inibidor de checkpoint, “foi testado um biomarcador que é o CPS - Combined Positive Score, um método que avalia a marcação positiva da expressão do PD1, foi avaliado para CPS superior a 1 e superior a 50, e mostrou que os resultados são muito melhores nestes doentes”, conclui.

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