MSDASCO 2019 - data

quarta-feira, 05 junho 2019 17:34
Expert Insight

Novos fármacos para o tratamento do cancro da próstata metastático sensível à castração

O Dr. Pedro Barata, oncologista da Universidade Tulane, em Nova Orleães, partilhou com a News Farma o porquê de considerar o cancro da próstata metastático sensível à castração a área nos tumores genitourinários com maior destaque na ASCO 2019. Veja o vídeo.

Vídeo

“O tratamento destes doentes [com cancro da próstata metastático sensível à castração]  mudou radicalmente no espaço de 5 anos, 6 anos”, elucidou o Dr. Pedro Barata; “nós tratávamos estes doentes baixando a testosterona inicialmente e só há cerca de 3-4 anos atrás mostrámos, através de ensaios de fase III, […]que combinar a supressão de testosterona com a abiraterona ou com quimioterapia, melhorava os outcomes clínicos”.

Os ensaios de fase III TITAN e ENZAMET apresentados na ASCO 2019 mostram que os dois novos medicamentos avaliados, “que funcionam muito similarmente – bloqueiam o recetor da testosterona nas células tumorais – […] trazem vantagem” no tratamento do cancro da próstata metastático sensível à castração. Os dois ensaios randomizados têm um desenho muito semelhante, ou seja, “alocaram doentes a dois braços: um com supressão de testosterona; outro com supressão de testosterona mais esse novo medicamento: apalutamida ou ezalutamida”, explicou.

Em relação ao ensaio TITAN com apalutamida “há uma redução do risco da morte acima dos 30% […] com hazard ratio de 0,67, e, além disso, um atraso no desenvolvimento de progressão de doença, ou seja, os doentes vivem mais e vivem com menos doença mais tempo”, elucidou.

O ensaio ENZAMET, apresentado na sessão plenária, “basicamente tira a mesma conclusão, com uma redução de risco de morte muito semelhante – 0,67 – com a ezalutamida”, afirmou.

Apesar de ambos os ensaios terem tido desenhos semelhantes e chegado a conclusões similares, apenas o ENZAMET foi apresentado em plenário, “sessão mais importante da ASCO”, enfatizou o Dr. Pedro Barata. As razões para essa distinção deveram-se a dois fatores:

  • no ENZAMET incluíram doentes tratados com docetaxel, ou seja, “os resultados traduzem a realidade atual, que é: se eu tiver um doente com muito volume de doença, se eu oferecer-lhe quimioterapia para além de suprimir testosterona, eu aumento a sobrevivência global”. O especialista explicou ainda que “este ensaio para além de mostrar que prolonga a sobrevivência global, que prolonga o intervalo sem progressão, mostra uma outra coisa:  os doentes tratados com quimioterappia que receberam ezalutamida vs. os que não receberam ezalutamida, não têm diferença de sobrevivência global”. Assim, este estudo mostra que, provavelmente “a terapêutica tripla poderá não ser melhor do que terapêutica dupla”; “isto para mim é uma novidade”, sublinhou.
  • o ENZAMET é um “estudo cooperativo, tem um apoio indireto de financiamento não só de farmacêuticas mas de financiamento por parte dos governos dos respetivos países, é um estudo internacional […] e portanto há uma valorização da ciência não enviesada”. Já o estudo TITAN “é um estudo patrocinado pela indústria farmacêutica”

Na perspetiva do Dr. Pedro Barata os resultados dos ensaios “são excelentes notícias”, por haver mais opções de tratamento da doença metastática sensível à castração.

Subscrever Newsletter do Congresso

Agenda

mai31
13:00
S504
mai31
14:45
100bc
mai31

Área Reservada