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domingo, 02 junho 2019 22:58
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Impacto da terapêutica hormonal e da quimioterapia na qualidade de vida das doentes com cancro da mama precoce

O Dr. Arlindo Ferreira, oncologista do Centro Clínico da Fundação Champalimaud, explicou à News Farma os resultados da análise do impacto da terapêutica hormonal e da quimioterapia na qualidade de vida das doentes com cancro da mama precoce. Este estudo foi desenvolvido durante a sua estadia, em Paris, no Instituto Gustave-Roussy e com o qual recebeu o Conquer Cancer Foundation Merit Award. Veja o vídeo.

Vídeo

Differential impact of endocrine therapy and chemotherapy on quality of life of 4262 breast cancer survivers: a prospective patient-reported outcomes (PRO) analysis”, foi o título do poster apresentado na ASCO, pelo Dr. Arlindo Ferreira, um trabalho igualmente selecionado para discussão de poster, em sessão própria no dia 2 de junho.

“Neste projeto em doentes com cancro de mama precoce, nós tentámos entender de que maneira a quimioterapia e a terapêutica hormonal interferem na qualidade de vida dois anos depois do diagnostico”, introduziu o especialista, explicando que “o contexto deste projeto tem a ver com esta tendência recente de escalarmos a terapêutica hormonal e de, ao mesmo tempo, desintensificarmos a estratégias baseadas em quimioterapia”.

Na sua opinião, “os dados de eficácia que se debruçam sobre esta problemática estão relativamente bem caracterizados; os dados de qualidade de vida não são tão bem conhecidos”. Por esse motivo, o Instituto Gustave-Roussy resolveu investigar esse parâmetro (qualidade de vida), utilizando dados do mundo real de uma coorte prospetiva francesa com cancro da mama precoce, o CANTO. Esta é uma coorte prospetiva que “coleciona dados de maneira longitudinal, nomeadamente dados de qualidade de vida, utilizando instrumentos da EORTC como o C30 e o BR-23”. 

Verificou-se que a dor clinicamente relevante, dois anos após o diagnóstico “apresenta cerca de 50% das doentes […] quando ao diagnóstico era cerca de 25% das doentes”. Também se observou uma degradação da função cognitiva: “ao diagnostico cerca de 30% das doentes tinham disfunção cognitiva clinicamente relevante e, dois anos depois, cerca de 40%”, partilhou o oncologista.

O estudo concluiu igualmente que “a terapêutica hormonal é o maior responsável pela degradação da qualidade de vida dois anos após o diagnóstico; porém, quando nós estratificamos isto por estado menopausico ao diagnóstico, parece que nas mulheres pré-menopausicas a quimioterapia continua a ter uma interferência substancial”. A quimioterapia interfere no desempenho cognitivo e na imagem corporal, enquanto que “a terapêutica hormonal interfere mais com as dimensões como a dor, mas também a função social”, afirmou.

Assim, a análise destes dados mostrou que  “a terapêutica hormonal é um participante que não é especialmente tão inocente quanto geralmente nós consideramos e que estratégias de intensificação e desintensificação terapêutica devem incluir esta dimensão de qualidade de vida de maneira a, eventualmente, também identificarmos doentes para os quais nós precisamos de dirigir intervenções que maximizem a tolerabilidade e a qualidade de vida das intervenções de  terapêutica adjuvante em cancro da mama”, concluiu o oncologista.

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