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segunda-feira, 03 junho 2019 22:42
Posters

Sessão de discussão de poster em cancro geniturinário moderada por médico português

A exercer Oncologia nos Estados Unidos, filiado à Tulane University (Nova Orleães) e com investigação clínica em doentes com tumores geniturinários, o Dr. Pedro Barata foi convidado pela Comissão Científica da ASCO, sendo parte da faculty desta Sociedade, para presidir à sessão de discussão de poster em cancro geniturinário – próstata, em conjunto com a Dr.ª Dana Rathkopf. Em entrevista à News Farma, o especialista sumariza as áreas que foram discutidas. Veja o vídeo.

Vídeo

 “Eu tive o prazer de […] moderar a sessão de discussão dos 12 posters que foram submetidos na área do cancro da próstata. Nós organizámos essa sessão que durou cerca de 1h30, em quatro áreas, com quatro pessoas a discutir três resumos científicos de cada vez”, introduziu o Dr. Pedro Barata.

A primeira área debruçou-se “sobre doentes com doença metastática da próstata e resistentes à abiraterona”. Neste grupo discutiram-se diferentes associações terapêuticas com enzalutamida, incluindo o inibidor da via mTOR- PI3K, que “é uma das vias que está estimulada no cancro da próstata, mas nós temos tido sempre alguma dificuldade em provar que bloquear essa via de proliferação celular traduz-se em benefícios para os doentes”, esclareceu, complementando que os resultados de um ensaio clínico de fase Ib/II são positivos. Outro ensaio apresentado foi a associação de enzalutamida com pembrolizumab: “foi testado o efeito sinérgico com a enzultamida”, partilhou.

A segunda área focou-se “à volta dos novos métodos de imagem com tracers específicos para a próstata no contexto de PET-scans”, explicou o especialista. “Os PET-scans com os tracers normais de açúcar FDG não são bons no cancro da próstata e, portanto, desenvolvemos tracers específicos para o cancro da próstata”, acrescentou.  O 1.º ensaio clínico que comparou os tracers  fluciclovina e PSMA “é a favor da utilização do PSMA no setting de doentes que têm doença que se manifesta por um aumento de PSA sem doença que nós possamos visualizar em exames normais de rotina como seja a TAC e cintigrafia óssea e, portanto, esse ensaio parece-me importante”.

A terceira área abordou a doença da próstata sensível à hormono-terapia. “O backbone do tratamento consiste em baixar os níveis de testosterona e fazemos isso através de castração cirúrgica ou castração química […] que normalmente são LHRH que podem ser agonistas ou antagonistas”, elucidou o especialista. “Um dos ensaios também apresentados na minha sessão foi mostrar que a utilização de um antagonista de LHRH parece reduzir significativamente a incidência de efeitos cardiovasculares comparativamente a um agonista, isto em doentes que já tinham de baseline doença cardiovascular”. Um outro estudo apresentado, do grupo Hopkins, mostrou que “atrasar o início do tratamento até ao momento em que se visualiza doença nos exames de imagem tem uma vantagem na sobrevivência global”. Na perspetiva do Dr. Pedro Barata, isso valoriza “não sermos ansiosos e assim que vermos o número de PSA a mexer, não termos aquela tentação de tratarmos o número e não tratarmos o doente; nós tratamos pessoas, não tratamos números, essa provavelmente será a mensagem”.

A última área abordada na sessão moderada pelo especialista avaliou a qualidade de vida e a satisfação do doente relativamente à comparação de dois dos tratamentos de quimioterapia taxanos – docetaxel e cabazitaxel. O oncologista explicou que “estes dois tipos de quimioterapia fazem prolongar a sobrevivência global desses doentes”, apresentando a mesma eficácia, embora os doentes prefiram cabazitaxel. “Cabazitaxel funciona depois de docetaxel; não temos dados a mostrar que o docetaxel funciona a seguir a cabazitaxel”, pelo que a questão que se coloca é se “o docetaxel tem uma eficácia preservada se um doente por uma razão deixe de fazer cabazitaxel ou deixe de funcionar”.

O especialista terminou a entrevista realçando: “foi uma sessão interessante, bem participada”; “o feedback foi positivo e fico muito contente de ter feito parte disso e de ter visto portugueses na audiência”.

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